''Há homens que lutam um dia e são bons.
Há outros que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos e são muito bons.
Porém há os que lutam toda a vida.
Esses são os imprescindíveis.''


Bertolt Brecht

sábado, 1 de janeiro de 2011

Cidade: reflexo dos homens

''Por meio dos conflitos urbanos é possível ler a cidade. Qualquer cidade pode ser estudada por sua arquitetura, por seus dados demográficos ou econômicos. Ao observar os conflitos urbanos, porém, é possível perceber como os diferentes setores e grupos da população se relacionam com a cidade e com as políticas governamentais. É uma forma de estudar não apenas os aspectos objetivos da cidade, mas também a subjetividade, aquilo que move citadinos(as) a se manifestarem.

     A cidade do Rio de Janeiro, como toda grande cidade capitalista, é profundamente marcada pela desigualdade. À desigualdade econômica se somam outras formas específicas de desigualdade, entre elas a urbana. As mudanças que ocorrem cotidianamente na cidade afetam de forma diferenciada os grupos sociais.

  Aqueles que têm maiores possibilidades de escolha quanto ao local de moradia, quanto aos meios de transporte a serem usados ou que podem pagar por serviços privados de saúde e educação, por exemplo, têm melhores condições de adaptação às mudanças da e na cidade.

  Muitas vezes, as pessoas mais pobres, mais dependentes do transporte coletivo e de determinados serviços públicos (como hospitais e escolas), enfrentam, em condições desfavoráveis, a disputa pela ocupação de espaços na cidade. De maneira recorrente, acabam se transformando nas vítimas dos processos de transformação e modernização da cidade.

      Mas não apenas a cidade se apresenta como um espaço física e morfologicamente desigual. Também a cidade é percebida de formas diferenciadas pelos grupos da população.

    Embora muitas percepções e problemas sejam comuns, é também inegável que moradores(as) da zona sul se manifestam por problemas diferentes que moradores(as) da zona norte e que moradores(as) de favelas se manifestam de forma diferente que as pessoas do asfalto. Essas diferenças expressam necessidades diferentes, relações distintas com o poder público e com a própria cidade.''



Rio de Janeiro






Texto retirado do site :

:http://www.cidades.gov.br/secretarias-nacionais/programas-urbanos/biblioteca/reabilitacao-de-areas-urbanas-centrais/textos-diversos/conflitos-urbanos-retratos-da-vida-na-e-da-cidade/


  
              Uma clara aproximação da cidade com seus moradores é percebida  a partir das conclusões do texto acima. Trabalhando em minha pesquisa sobre uso e ocupação do solo de São Luis e São José de Ribamar, percebo as nuances da manifestação  da população na sua própria cidade. Entretanto, o que é  cidade? O que é o meio Urbano? O espaço onde pessoas ficam aglomeradas e na convivência acabam por aderir as inovações e a absorver padrões sem pensar sobre eles?  Numa visão marxista, seria fruto do capitalismo gerado pelas necessidades que o mercado impõe desde  a revolução industrial?


                                           Representação de cidade na Revolução Industrial

           
               A cidade é fruto da confluência de elementos culturais, sociais, econômicos etc., que juntos num mesmo ambiente se sobrepõe aos outros, determinam as relações, e coordenam todo um espetáculo de empreendimentos,  construções e arte. A cidade é o urbano, elemento que define a atmosfera citadina, ou seja a maneira de se viver na cidade, a maneira de ser da cidade. Este elemento a define por elementos puramente pragmáticos, geográficos, mas também  por elementos que vão além de fronteiras.

             As cidades são sobretudo espaços onde ocorrem grandes eventos, onde há cultura em profusão, religiosidade e expressão das pessoas. São espaços puramente antropológicos e sociais. Em outras palavras a arquitetura, o traçado da cidade, a maneira como ele se modifica, a maneira como cresce,  o que absorve de fora, e o que não absorve, dizem muita coisa sobre as pessoas que ali residem. As cidades crescem não só devido as necessidades pertinentes do comércio, do capitalismo, mas principalmente por motivos muito humanos, intrapessoais e interpessoais que sempre trazem o novo.  Essa é a grande necessidade do homem. A necessidade de mudança . A necessidade da inovação, da constante construção. A cidade é com certeza a materialização dessa necessidade.
              
              O texto acima é uma espécie de protesto a respeito das desigualdades e dos problemas enfrentados pelos moradores das cidades que não conseguem conciliar a necessidade deste crescimento que flui, que é constante e inevitável, com os problemas sociais que ainda persistem. Problemas de estrutura, de espaço, de saneamento básico, crescimento demográfico, pobreza etc. Estes elementos ainda deixam muitas cidades brasileiras evidenciadas pelos problemas que são da população e do governo. A cidade é a manifestação do que nós somos. De uma forma ou de outra, por mais que hajam problemas naturais que prejudicam a estrutura da cidade, nós somos responsáveis pelo ambiente que fazemos, pois interferimos nele.
            
             É através da leitura da cidade que enxergamos o maranhense, o mineiro, o paulista. Pela maneira como a cidade foi feita e pela forma que esse feito volta a interferir nas pessoas, é qe podemos entender mais sobre nós e sobretudo poderemos entender a nossa História!



   
 Centro Histórico de Salvador
    

Foto do Elevador Lacerda, ponto turístico de Salvador; Imagem de Tiago Celestino.


Aimée Aguiar Bezerra









Poemas 
Exílio em minha terra
(26/04/07)

Minha terra há um quê
Que não sei quem haverá de cantar...
Cante passarinhos!
Cante, grite, proteste!
Não deixe tudo acabar
Não deixe que te matem
Não deixe que te calem

Que com palmeira
Ou não, estamos aqui
E nos seremos presença
Não esqueceremos
Nossos professores

Estamos aqui ó mundo
Em busca do povo
Em busca de tudo!

(Na busca do que queremos)
Não permita Deus que morramos
Por que nesta terra de “primores”
Nos não iremos nos rebaixar
Minha terra tem um povo
Que jamais se calará


Apoio a greve dos professores do Maranhão de 2007







Ao último visgo de amor mundano

Faceta íngreme e estranha
Que se guarda no pensamento.
Jamais se acaba
Extra e estranho momento
Em que te guardas,
Onde esperas,
Ó estranho ser
No que te elevas?
Pois sei que desta Faceta
Tu nos mostras que lhe prove
O sei que não sou
Ser que fui ao nada que vou
Em teus caminhos loucos
Enumerado deste olhar
Ensangüentado desta deste
E aquilo que sobra
Adeus, amigo que deplora
Sem implorar
Ao nada que foi



Flávio Poeta

Um comentário:

  1. Adorei o texto: Cidade: reflexo dos homens.

    Realmente... os processos sociais, materias, ideológicos, etc., constroem uma cidade, seus habitantes e as caracteristicas peculiares.

    Uma outra consequência com relação á sua boa ou má administração governamental, é o aglomeração nas cidades, fazendo com q esta tenha um BOOM POPULACIONAL, e tornando deficiente os serviços públbicos oferecidos as classes menos favorecidas, caracterizando estas regiões em maior ou menor grau de desigualdade e inclusão social pelas políticas públicas oferecidas.

    Nesse mesmo texto.. muito pode ser explorado, como exemplo também, a questão geografica e sua influência no formado na cidade, nos tipos de habitações, valores da mercadoria ( imbutido no frete), modo de locomoção, etc.

    Adorei mesmo. Pra resumir... Cidade: reflexo dos homens.

    Rs.. Bju galera **

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