''Há homens que lutam um dia e são bons.
Há outros que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos e são muito bons.
Porém há os que lutam toda a vida.
Esses são os imprescindíveis.''


Bertolt Brecht

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Angústia e Medo (Impressões de uma manhã no mercado) (Amigo Edwin Xavier)



Ao Professor Henrique; 

Mecenas de Artistas, Poetas e Bêbados.

“Para ter a vitória é preciso realmente dar o sangue, o que causa medo, mas minha vontade de superar obstáculos é maior, isso me faz ter medo de mim mesmo, eu sou meu pior inimigo, tenho que acertar nas minhas escolhas”.
Como já disse Salomão (meu conselheiro de cabeceira) “Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam”, ouço os conselhos de pessoas que me amam e que pelas quais tenho admiração.  
(Henrique você é uma dessas pessoas) 

P. R. Matos, São Luís 02/02/2011.


Percebo certa tristeza pairando no ar,
Um desencanto latente nos olhares,
Lembranças flutuando nas mesas do bar 
E a nostalgia que permeia alguns lugares.
Numa melancolia que não há quem console,
Com copo, caneta e papel em mãos,
Vivendo a desesperança de só mais um gole,
Fico sentado em “momenterna” contemplação. 
Encontro-me com tudo o que fui e não mais sou.
Num torturante e retroativo sentimento 
Recordo-me de alguns amigos que a morte ceifou,
Outros..., a mágoa, o ciúme e o ressentimento.
Sei que sou a pura e fatal conseqüência de mim mesmo,
Fruto desta minha forma de sentir quase tudo.
Alterando signos e sobrelevando minha dor ao extremo
Como se o “i” sempre iniciasse a palavra mundo.
Completamente submerso em estranho delírio
Penso naquilo que embora perto esteja bem longe...
No amor legítimo e no amor espúrio, 
No futuro que ontem eu pensei que teria hoje.
Subitamente o teatro da vida me enlaça e atiça.
Capto a aura de uma obra de arte,
Porém minha exegese não lhe faz justiça,
Pois diante do todo, distorço-lhe as partes.
Num processo lento e perene
As verdureiras arrumam barracas.
O tempo então se espreme,
Formando pinturas densas e opacas.
Sinto o aroma, o aspecto e o gosto.
Batatas, pimentas, limões;
Chão sujo, cachorros, esgoto
E um velhinho com sua camisa sem botões.
Há mesas manchadas com sangue frio;
Peixes pendendo das mãos dos peixeiros;
Facas nervosas cortando horas a fio;
Cascas, cabeças e escamas rodopiando nos bueiros.
Duas mulheres bonitas e antipáticas,
Com trejeitos chatos e sorriso pobre,
Balançam suas bundas brancas e elásticas,
Desdenhando de tudo com olhar esnobe.
Vejo um deficiente com suas muletas;
Engraxate, sapatos, caixote;
Um mendigo curtindo a sarjeta
E um alcoólatra à beira da morte. 
Jogadores compulsivos repetem movimentos infatigáveis,
Formando nuvens tóxicas com seus cigarros
E bajulando máquinas caça-níqueis estéreis e instáveis 
Com suas luzes foscas e desenhos bizarros. 
Deparo-me agora com as imagens que mais me comovem:
Uma menininha sorridente pedindo esmolas, 
Um andarilho tristonho de aspecto bem jovem
E uma grávida ininterruptamente cheirando cola.
Num entrelaçar de gestos, pensamentos e expressões
Os passantes entreolham-se de soslaio. 
Tudo se reúne num desconexo bloco de ações
Como numa peça desprovida de ensaio. 
Os peixeiros conversam asneiras,
As mulheres se vão com sacolas pendentes,
O velhinho vende cordões, anéis e pulseiras
E o engraxate lustra os sapatos do deficiente.

As verdureiras falam sobre ervas e seus mistérios,
Repentinamente surgem melodias inexatas,
O alcoólatra e o mendigo balbuciam impropérios
Num frenesi característico dos apóstatas. 
Os jogadores perdem seu dinheiro diante de uma platéia
Indiferente a quaisquer das possíveis conseqüências.
As máquinas caça-níqueis engolem onomatopéias 
E os cigarros vomitam suas diversas substâncias.
A menininha recolhe os seus trocados,
A grávida perambula alucinada,
Os cachorros perseguem ossos por todos os lados
E o andarilho desaparece, seguindo sua jornada.
Ao redor tudo impressiona o meu olhar, 
Neste local não há o que se disfarce,
O formato das bocas e nuances das formas de falar
Ou a compleição fatigada retida em cada face. 
Ouço a voz de um homem de sorriso contrafeito,
O tilintar de moedas nos balcões.
A angústia mergulhada no meu peito
Uni-se à fumaça cancerígena injetada nos pulmões.
A fome surge esmagadora, 
O estômago dói e me contorço. 
Admiro ainda mais a missão exploratória 
Dos ambulantes em sua batalha diária pelo almoço.
Um amigo abre mão de beber para que eu beba,
Em um gesto quase bom e semi-mau, 
Insistindo para que eu receba
Aquele néctar inebriante e transversal.
Cai então o peso do álcool nos meus ombros,
O ambiente torna-se cada vez mais kafkiano,
Vejo criancinhas inocentes nos escombros
Tornando-se criaturas distorcidas de olhar profano. 
Numa prosopopéia altamente alucinatória 
Mesas e cadeiras dançam de um jeito jocoso,
As facas fitam-me de forma interrogatória
E as garrafas esfregam-se até chegarem ao gozo.
Cada elemento presente me enleva e impele
A uma amálgama de náusea, paixão, calor e afeto.
O ar quente e úmido envolvendo a pele, 
As paredes estreitas, sombras e frestas de luz no teto.
Pensadores inconscientes e maltrapilhos;
Poetas que nunca foram laureados em academias;
O pobre burguês e o proletário sem filhos,
Acabam confluindo suas inumeráveis filosofias. 
Metonimicamente o mundo inteiro está ali,
Cada ser representando um único e enorme “EU”,
Seguindo na condescendência coletiva de existir.
Quanto a mim..., tudo o que restou já se perdeu.
Com os efeitos de uma mente embriagada
Sou (álcool) poeticamente marcado 
Pela poesia desentranhada 
E esta sub-sóbria manhã no mercado. 



Paulo Roberto

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Início da História como Ciência; Principais argumentos



O grande desenvolvimento no campo da Historia deu-se especificamente em meados do século XIX, nessa época a historia emergiu com grandes pensadores que foram fundamentais para o desenvolvimento de sua área.
A partir dos estudos feitos por esses intelectuais a História elevou-se ao status de ciência. Dentre os pioneiros dessa mudança no processo de desenvolvimento do conceito. Destacaram-se Von Humboldt (1767-1835) e Von Ranke (1795-1886), os quais possuem seus principais argumentos e teorias discorridos a seguir.          
   O século XIX para o campo da historia viu emergir dois grandes pensadores que foram fundamentais para o desenvolvimento desta área, enquanto ciência, Humboldt e Ranke. Apresentando e dissertando sobre  os principais argumentos desses dois historiadores, entenderemos melhor  o papel da historia enquanto ciência.
O grande desenvolvimento do campo na historia deu-se especialmente no século XIX, com o surgimento de intelectuais que elevaram através dos seus estudos, a historia ao status de ciência. E dentre os pioneiros desta mudança no processo de desenvolvimento do conceito da historia destacam – se Von Humboldt (1767-1835) e Von Ranke (1795-1886), os quais terão seus principais argumentos e teorias discorridas nesta narrativa.
Wilhelm Von Humboldt é um pensador que durante o século XIX inovou com suas reflexões sobre o conceito de historia e do oficio do historiador, modificando conceitos já estabelecidos.
Humboldt inicialmente desenha a imagem do ofício do historiador apresentando o que ele não deveria ser, no caso em questão, um historiador passivo (receptivo e reprodutor) que se limita em reproduzir os fatos, acreditando que esta sua tarefa. Delineia que a tarefa do historiador consiste na exposição do acontecimento. Entretanto, a verdade deste acontecimento baseia-se na complementação a ser feita pelo historiador na parte invisível do fato. Pois o acontecimento só é visível parcialmente, precisando o restante ser intuído, concluído e deduzido. Tendo o historiador, assim como um poeta, utilizar-se do recurso da fantasia (aqui entendida como faculdade de intuição) para compor um todo a partir de um conjunto da fragmentação. Deste modo “o historiador é autônomo, e até mesmo criativo, (...) na medida em que sua própria força dá forma ao que realmente é algo impossível de ser obtido sendo meramente receptivo.”
Nos seus estudos destaca-se a reflexão acerca de três dimensões: a política, a pedagógica e a filosófica. Com sua obra “Ideias para um ensaio que determine os limites da ação do Estado” (1792) Humboldt contribuiu para a história da idéia política. Esta obra caracteriza-se pelo liberalismo político, e na originalidade da investigação em perguntar pela finalidade do Estado, sua utilidade. Levando a uma mudança de sentido do próprio Estado, o qual não pode cumprir a responsabilidade de responder tal questionamento, visto que “toda finalidade só pode ser estabelecida em âmbito privado.”
Em relação a religião Humboldt defendia a separação dessa com o Estado, para que assim se torna realmente universal, sendo um meio de formação. Pois, “a religião era apenas um meio de opressão”. Com esse rompimento ocorreria à perda do apoio dado pelo poder político estatal, encontra partida seu avanço se daria pelo fato de se tornar um poder de formação independente.
Humboldt utiliza a Filosofia (buscar o fundamento primordial das coisas) para seus estudos, mas atenta para o fato de que “a filosofia dita um objetivo aos eventos, e assim, esta busca por causas finais, sejam elas deduzidas da essência da natureza ou do próprio homem, perturba e falsifica toda visão livre sobre a ação própria das forças.
No âmbito pedagógico lutava pela reforma na Universidade de Berlim. Criticando a importância que era direcionada as faculdades superiores úteis ao Estado (como o Direito, e a Medicina), em detrimento das demais, com concepções idealistas, por vezes mares reproduções.
Nos perfis das obras Humboldtianas encontramos uma variedade de perspectivas, que segundo o autor era necessário respeitarem essa diversidade, sem ter a preocupação de resolver as controvérsias, pois acreditava piamente que só na contradição o sujeito é considerado seriamente, ressaltando sua existência.
 Esse princípio fundamental difundiu que nos homens e na sua história vive, age e se realiza gradualmente a forma ou o espírito da humanidade, tendo-o como ideal e critério do valorativo de toda a individualidade e de toda a manifestação humana. Direcionando o eixo de formação do homem que deixa de ser político e passa a ser guiado pela arte.

Outro grande autor a ser comentado e que se destacou nos estudos desses temas é Leopold Von Ranke que, na sua obra “O Conceito de História Universal” (1831), contribui de forma decisiva a conceitualização de historia e a sua definição como ciência a partir do momento que procura afastar, ou pelo menos diferenciar a História da Poesia e da Filosofia, “no fato de que de maneira análoga, elas (poesia e filosofia) se movimentam no plano do real (...) por causa de seu próprio material, dado e condicionado pela empiria”.

Nessa mesma obra Ranke apresenta as exigências que resultam para a pesquisa histórica, quando a História busca se desvencilhar da filosofia, apresentando os seis eixos desse principio histórico.
O amor a verdade, que é recolher nosso objetivo mais elevado no evento, evitando usar da nossa imaginação para nos antecipar ao objeto, pois “estaríamos trabalhando contra ele, estriamos reconhecendo apenas o reflexo de nossas teorias e de nossa imaginação”.
Uma investigação documental, pormenorizada e aprofundada, dedicando-se ao próprio fenômeno, suas condições, seus contexto para assim alcançar o conhecimento da sua essência.
Um interesse universal, pois os campos se dão apartados um do outro, mas estão sempre articulados e até mesmo condicionando-se mutuamente, é necessário dedicar um interesse uniforme a todos eles.
A fundamentação do nexo causal, pois na seqüência entre os distintos eventos um nexo, que se toca e influência mutuamente. “o precedente condiciona o posterior”, existindo uma articulação intima entre causa e efeito.
O apartidarismo manifesta-se entre dois partidos que se defrontam um com o outro, uma disputa distinta, mas que mantém um parentesco intimo.
A compreensão da totalidade, “trata-se de algo vivo, e assim aprendemos sua manifestação: nós percebemos a seqüência das condições que tornam um fator possível por intermédio do outro”.
A partir das análises de suas concepções percebe-se que de forma geral Ranke defendia a necessidade da objetividade nos estudos históricos, um tema considerado espinhoso; concordava com a premissa que a “política arruína a Historia”. Seu pensamento histórico estava fortemente marcado pela tríade: religião (onde “as verdades religiosas estão para alem de qualquer empiria; e não esta ao alcance do método histórico – a solução encontrada para está teodiceia foi a expulsão de Deus do plano da Historia”), e a Filosofia (se aproxima do fenômeno em si mesmo, tal como ele se manifesta) e a política.
Nas reflexões sobre a dimensão artística do trabalho historiográfico demonstra a influência de Humboldt, demonstrando a relação existente entre os estudos desses intelectuais que contribuíram para o processo de desenvolvimento do conceito de Historia.


Rakell Rays

sábado, 1 de janeiro de 2011

Cidade: reflexo dos homens

''Por meio dos conflitos urbanos é possível ler a cidade. Qualquer cidade pode ser estudada por sua arquitetura, por seus dados demográficos ou econômicos. Ao observar os conflitos urbanos, porém, é possível perceber como os diferentes setores e grupos da população se relacionam com a cidade e com as políticas governamentais. É uma forma de estudar não apenas os aspectos objetivos da cidade, mas também a subjetividade, aquilo que move citadinos(as) a se manifestarem.

     A cidade do Rio de Janeiro, como toda grande cidade capitalista, é profundamente marcada pela desigualdade. À desigualdade econômica se somam outras formas específicas de desigualdade, entre elas a urbana. As mudanças que ocorrem cotidianamente na cidade afetam de forma diferenciada os grupos sociais.

  Aqueles que têm maiores possibilidades de escolha quanto ao local de moradia, quanto aos meios de transporte a serem usados ou que podem pagar por serviços privados de saúde e educação, por exemplo, têm melhores condições de adaptação às mudanças da e na cidade.

  Muitas vezes, as pessoas mais pobres, mais dependentes do transporte coletivo e de determinados serviços públicos (como hospitais e escolas), enfrentam, em condições desfavoráveis, a disputa pela ocupação de espaços na cidade. De maneira recorrente, acabam se transformando nas vítimas dos processos de transformação e modernização da cidade.

      Mas não apenas a cidade se apresenta como um espaço física e morfologicamente desigual. Também a cidade é percebida de formas diferenciadas pelos grupos da população.

    Embora muitas percepções e problemas sejam comuns, é também inegável que moradores(as) da zona sul se manifestam por problemas diferentes que moradores(as) da zona norte e que moradores(as) de favelas se manifestam de forma diferente que as pessoas do asfalto. Essas diferenças expressam necessidades diferentes, relações distintas com o poder público e com a própria cidade.''



Rio de Janeiro






Texto retirado do site :

:http://www.cidades.gov.br/secretarias-nacionais/programas-urbanos/biblioteca/reabilitacao-de-areas-urbanas-centrais/textos-diversos/conflitos-urbanos-retratos-da-vida-na-e-da-cidade/


  
              Uma clara aproximação da cidade com seus moradores é percebida  a partir das conclusões do texto acima. Trabalhando em minha pesquisa sobre uso e ocupação do solo de São Luis e São José de Ribamar, percebo as nuances da manifestação  da população na sua própria cidade. Entretanto, o que é  cidade? O que é o meio Urbano? O espaço onde pessoas ficam aglomeradas e na convivência acabam por aderir as inovações e a absorver padrões sem pensar sobre eles?  Numa visão marxista, seria fruto do capitalismo gerado pelas necessidades que o mercado impõe desde  a revolução industrial?


                                           Representação de cidade na Revolução Industrial

           
               A cidade é fruto da confluência de elementos culturais, sociais, econômicos etc., que juntos num mesmo ambiente se sobrepõe aos outros, determinam as relações, e coordenam todo um espetáculo de empreendimentos,  construções e arte. A cidade é o urbano, elemento que define a atmosfera citadina, ou seja a maneira de se viver na cidade, a maneira de ser da cidade. Este elemento a define por elementos puramente pragmáticos, geográficos, mas também  por elementos que vão além de fronteiras.

             As cidades são sobretudo espaços onde ocorrem grandes eventos, onde há cultura em profusão, religiosidade e expressão das pessoas. São espaços puramente antropológicos e sociais. Em outras palavras a arquitetura, o traçado da cidade, a maneira como ele se modifica, a maneira como cresce,  o que absorve de fora, e o que não absorve, dizem muita coisa sobre as pessoas que ali residem. As cidades crescem não só devido as necessidades pertinentes do comércio, do capitalismo, mas principalmente por motivos muito humanos, intrapessoais e interpessoais que sempre trazem o novo.  Essa é a grande necessidade do homem. A necessidade de mudança . A necessidade da inovação, da constante construção. A cidade é com certeza a materialização dessa necessidade.
              
              O texto acima é uma espécie de protesto a respeito das desigualdades e dos problemas enfrentados pelos moradores das cidades que não conseguem conciliar a necessidade deste crescimento que flui, que é constante e inevitável, com os problemas sociais que ainda persistem. Problemas de estrutura, de espaço, de saneamento básico, crescimento demográfico, pobreza etc. Estes elementos ainda deixam muitas cidades brasileiras evidenciadas pelos problemas que são da população e do governo. A cidade é a manifestação do que nós somos. De uma forma ou de outra, por mais que hajam problemas naturais que prejudicam a estrutura da cidade, nós somos responsáveis pelo ambiente que fazemos, pois interferimos nele.
            
             É através da leitura da cidade que enxergamos o maranhense, o mineiro, o paulista. Pela maneira como a cidade foi feita e pela forma que esse feito volta a interferir nas pessoas, é qe podemos entender mais sobre nós e sobretudo poderemos entender a nossa História!



   
 Centro Histórico de Salvador
    

Foto do Elevador Lacerda, ponto turístico de Salvador; Imagem de Tiago Celestino.


Aimée Aguiar Bezerra










terça-feira, 23 de novembro de 2010

Valorização do Patrimonio Histórico

Revalorização e destruição do Centro Histórico
  O Centro Histórico passou por uma considerável revalorização logo após o começo do século XXI, nessa época começou-se a realizar várias reuniões, encontros e assembléias para se discutir políticas publicas de revalorização do centro histórico, todas movidas pelos moradores do bairro, grupos artísticos, IPHAN, Centro de cultura Domingos Vieira Filho, que sem dúvida vieram a contribuir para tornar o local um grande foco de resistência da cultura popular com a realização de diversas manifestações culturais na área. No local só pra se ter idéia, existe a proliferação das seguintes manifestações culturais: Capoeira, Tambor de Crioula, Samba de rua, Bumba-meu- boi, apresentações de Grupos folclóricos, bandas de Reggae e Rock, apresentações de espetáculos de Dança e Teatro, etc. Além da presença das seguintes tribos urbanas, denominação esta dada por uma nova vertente da Antropologia Social e da Sociologia que as colocam nessa categoria, sendo as mesmas representadas pelos seguintes Movimentos: Hip Hop, Baladeiros, Emos, Headbangers/Metaleiros, Hippie, Punk, etc. Isso tudo se concentra principalmente nos finais de semana, em especial na sexta- feira. O que se deve levar em consideração são os pontos positivos e negativos desta nova ocupação do Centro Histórico, o mesmo que no passado fora o centro comercial mais importante da Capital, ou seja, a área econômica mais desenvolvida, local de residência de grandes autoridades, ricos comerciantes e de grandes intelectuais que não pouparam esforços para criar e embelezar o acervo arquitetônico do mesmo. Há sem dúvida vários pontos positivos como a sua revalorização e grande ocupação, dentre eles estão: a utilização com espaço alternativo para divertimento, ponto de cultura, centro comercial, espaço de divulgação do turismo, desenvolvimento sustentável do artesanato e sua comercialização, venda e exposição da culinária maranhense, centro de manifestações folclóricas, entre outros. 
  É salutar a importância de museus como o Museu Histórico e Artístico do Maranhão que nos mês de julho oferece o projeto: Férias no Museu que durante todas as quintas feiras do mês de julho coloca em prática um conjunto de atividades que fazem parte do projeto. A iniciativa busca promover momentos lúdicos para crianças e jovens, com a apresentação de oficinas que serão realizadas para levar a alegria a crianças e adolescentes. Na programação, estão incluídas rodas de leitura, contações de história e jogos recreativos, com as pedagogas Núbia Ayres e Socorro Paixão, a atriz e arte-educadora Cris Campos e a especialista em Educação Infantil Meire Alves. Ainda como parte das atividades está o projeto Cinema no Museu, que traz a exibição de filmes no Teatro Apolônia Pinto. Há também O Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho que tem como objetivo referenciar, estimular e divulgar a produção material e não-material da cultura popular maranhense, bem como apoiar o seu desenvolvimento. Nessa linha de atuação, o incremento e fortalecimento do ensino e da pesquisa na área da cultura popular e o fomento a parcerias, patrocínios e intercâmbio para divulgar e evidenciar a nossa cultura popular são as linhas básicas que norteiam a atuação do CCPDVF. E como parte de suas ações, desenvolveu diversos projetos de integração Museu-Escola, de capacitação de jovens e de pesquisa. Através dos projetos: A Arte do Bordado na Indumentária e Couro do Bumba-meu-boi, Brincadeira Tem Hora, Memória de Velhos, Pesquisa e Avaliação de Grupos Juninos, Sabença: Museu-Escola Saber Ser, Saber Fazer. Já o Centro de Cultura Matroá comandado pelo Mestre Marco Aurélio oferece atividades de Capoeira, Tambor de Crioula, Oficinas de Cultura Popular e Artes Plásticas, cria projetos sociais que levam as crianças que são moradoras do Centro Histórico a realizarem atividades culturais para a fomentação da arte. Nos teatros Artur Azevedo, João do Vale, Alcione Nazaré é realizado a Semana Maranhense de Teatro que acontece em março em comemoração ao dia internacional do teatro que é dia 27 de Março e a Semana Maranhense de Dança realizada em Abril em comemoração ao dia internacional da Dança que é apreciado no dia 29 de Abril.
 Todos esses projetos utilizam as imediações do Centro Histórico como a Praça Nauro Machado, as escadarias, ruas, becos e os espaços públicos do local. Podem-se identificar vários pontos negativos nesta revalorização, e estes por sua vez são mais fáceis e rápidos de serem identificados, pode-se destacar o aumento do tráfico de drogas, consumo exagerado de bebidas alcoólicas, prostituição, exploração sexual de crianças e adolescentes, depredação do patrimônio histórico, violência e roubo. O que se observa é que houve um aumento considerado de pessoas que freqüentam o local e que o poder público não ofereceu nenhuma garantia de segurança, de preservação, infra-estrutura, e fiscalização. Os casarões e praças estão sendo pinchados, depredados, servindo de banheiro público, ponto de venda de drogas, exploração de mão de obra infantil e de exploração sexual de crianças e adolescentes. E o mais crítico é que não se ver nenhuma entidade pública ou particular tomar providência com relação a isto tudo, o que ainda é mais interessante é que tudo é praticado ao ar livre, e nenhuma entidade ou órgão público toma se quer uma providência para coibir esses atos que geram mazelas. Será que devemos esperar das autoridades competentes alguma resposta? Ou devemos desde já mudar essa realidade de abandono e descaso com o que temos de mais importante que é a nossa vida, a nossa cultura, a nossa memória, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, ou seja, a nossa História. Sabemos da importância da revalorização que o local ganhou nos últimos anos, sabemos que isso é bom, mas compreender que nem tudo está bem é de fato a melhor maneira de preservarmos o que temos de glória material arquitetônica . Se não valorizarmos o nosso Patrimônio Imaterial, nos surpreenderemos  ao abrir nossos olhos, não veremos mais nada a não ser a destruição por causa da nossa omissão. Pois entendo que temos que assumir uma postura crítica, construtora e prática que nos ofereça alternativas para conservarmos o nosso Patrimônio Histórico e Cultural.

Alex Costa

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Deusa clio

  

   Depois de muitas discussões ''filosóficas'', e profunda reflexão sobre qual título poderia melhor  caracterizar este intento, conseguimos finalmente entrar em consenso. (ufa!)   E inaugurando o Deusa clio nada mais conveniente do que homenagearmos CLIO: a musa da História e da Criatividade.
   As musas, filhas de Zeus, eram nove deusas das artes e das ciencias na mitologia grega. Sua mãe era Mnmósine a deusa da memória. A palavra musa  vem do grego "mousa" e dela deriva museu que, originalmente significa "templo das musas". Segundo os mitos antigos todas estas filhas de Zeus, ficavam no monte Parnaso cantando e tinham todo o poder de afastar a dor e a tristeza, sendo invocadas todas as vezes que escritores, artistas e etc. precisavam delas para serem bem inspirados. É mérito de Clio a introdução do alfabeto Fenício na Grécia e o grande fruto que  a lembrança traz : A História. O próprio Heródoto, Pai da História, dedicou a clio 9 livros.
  Clio também divulga e celebra as realizações. Representada como uma jovem coroada de Louros, traz na mão direita uma trombeta e na esquerda um livro, cujo título é Tucídedes (historiador da Grécia Antiga).Também é considerada a inventora da guitarra.
  A representação e importancia da Deusa Clio não é mera referência ilustrativa, mas sim um chamado a abordagens de História Social e cultural. O livro que Clio carrega, nos remete a escrita da História, a historiografia, ao relato das realizações : a necessidade do registro, para a análise, para o conhecimento do que foi ou resultará o acontecimento histórico. E a trombeta de clio faz referência a anunciação, a fama do acontecimento, da História.

 
 A deusa clio por Vermeer



 A responsabilidade do historiador
 
   
   Entre tantos devaneios bobos do ser ou não ser um historiador, nos encontramos duvidosos, receosos quanto a nossos destinos e história academica. Conhecendo com afinco, sem reservas procurando nas entrelinhas tudo que os autores mais célebres não disseram em seus textos, apesar do que eles disseram...Virando e revirando reflexões, a crítica dentro de si mesma...encontrando não só o que procurávamos, mas vislumbrando o que nem imaginávamos encontrar... É desta forma que caminhamos rumo ao descobrimento do conhecimento. 
  Todavia, é claro, não deixamos de nos emaranhar num labirinto de dúvidas e elocubrações epistemológicas. O que não nos minimiza ou desconcerta ante o desafio... ao contrário, nos fortalece.  Como bem nos lembram nossos mestres, o que importa não são as respostas , mas sim as perguntas, pois estas é que mostram a direção... Se não fossem as perguntas, como dizer aonde se quer ir?
   Afinal, não é a pergunta no presente que nos remete ao passado? O que vamos buscar atras que não está  a nossa frente? O desenrolar, a raíz, a origem, o problema, a historia . Nesse ínterin o que é o historiador? Um instrumento? Um eco muito bem treinado para prontamente lhe dizer o que foi, como foi, e  quando? Não seria torná-lo apenas prático e informado? O historiador não pode reduzido desta forma , responder... Ele não pode atender a perguntas, se não saberia buscar, e como buscar.
  O historiador é mais que simples reprodutor, simples instrumento de consulta ao passado. Ele é aquele que consegue além das esferas práticas e metódicas  ter uma visão ampla e diferenciada de um mesmo ponto. É aquele que alcança no ar a etérea linha da verdade, ou das verdades, que levemente escapa por entre seus dedos,  convertendo  múltiplas direções apresentadas em um mesmo caminho de busca. É não aquele útil, mais necessário componente de uma eterna construção. Se não servimos para abrir os olhos,  mostrar o que  por muito tempo foi escondido e levar a mentes ignorantes a reflexão maior sobre  o homem, não estaremos servindo para o contínuo desenvolvimento do homem e da sociedade. E muito menos para o olhar crítico dos indivíduos...
  Historiadores do ''mundo inteiro'', uni-vos. Algumas transformações externas e internas, dependem em muito pontos de nós. A tarefa não é das mais fáceis, pois seria como se tivéssemos de retirar um véu, (em alguns casos uma burca) de pessoas que querem muitas vezes continuar usando-o. Será talvez, em muitos casos, como se estivéssemos tolhendo o direito ''legítimo'' daqueles que querem permanecer cegos...será como avisar a um monte de homens numa caverna, que o mundo não é tão somente aquilos que eles pensavam segundo as possibilidades que lhes eram oferecidas...

  

Historiador

Veio para ressuscitar o tempo
e escalpelar os mortos,
as condecorações, as liturgias, as espadas,
o espectro das fazendas submergidas,
o muro de pedra entre membros da família,
o ardido queixume das solteironas,
os negócios de trapaça, as ilusões jamais confirmadas
nem desfeitas.

Veio para contar
o que não faz jus a ser glorificado
e se deposita, grânulo,
no poço vazio da memória.
É importuno,
sabe-se importuno e insiste,
rancoroso, fiel.


Carlos Drummond de Andrade, em 'A Paixão Medida'


 
                                                                                                                                                    Aimée