''Há homens que lutam um dia e são bons.
Há outros que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos e são muito bons.
Porém há os que lutam toda a vida.
Esses são os imprescindíveis.''


Bertolt Brecht

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014




A quem mal fará um beijo de dois homens em uma novela? — discussão acerca de uma imagem preconceituosa divulgada em uma rede social.

O texto abaixo foi a resposta que dei a um indivíduo que colocou uma imagem que me chocou em uma rede social. A dita imagem mostrava um homem beijando na boca de cão e tinha como legenda: “beijo no final da próxima novela das 9 de 2015.” Esta imagem tem uma referência a novela da Globo, Amor à Vida (2012-2014), e que teve no fim um beijo gay (o primeiro de uma novela da rede Globo). Isso foi um estardalhaço tanto por parte daqueles que apoiavam, como por aqueles que rejeitavam. Fiquei longe desta discussão que foi amplamente divulgada pelos meios de comunicação, nas conversas cotidianas e nas próprias redes sociais, no entanto não pude me conter quando me deparei com tal imagem que estou me referindo (decidi não postar tal imagem aqui pois acredito ser muito inconveniente). Quero antes de nada dá algumas explicações: 1) o texto está como estava nos posts da discussão na rede social, com pequenas modificações no sentido de correção ortográfica, pois foi feito as pressas; 2) cada paragrafo era um post original da discussão, percebam que ficou maior do que costuma ser esse tipo de conversa em tais redes; 3) não transcrevi nenhuma das falas da discussão a não serem as minhas, pois acredito que não seria correto me apropriar da fala alheia; 4) o 1º e 2º paragrafo seguem-se de imediato na discussão, que foram rebatidas por outros que estavam comentando a tal imagem e que logo eu reafirmei tudo o que tinha dito e para não ficar redundante não os transcrevi aqui; 5) no caso do terceiro parágrafo foi uma resposta ao rapaz que postou a dita imagem, questionando a minha postura, e que felizmente depois deste último post meu ele não respondeu mais nada; 6) o dito rapaz eu decidi que aqui no blog chama-lo de “G”; 7) Ficará patente que eu o conheço pessoalmente e que vai indicar a profissão do mesmo. Segue a discussão:

“Temo que nossos pensamentos e nossas atitudes possam trazer consequência drásticas maiores que nos possamos pensar. A ciência conforme “G” lembrou e a religião foram decisivas para ferir e destruir pessoas pelas suas orientações sexuais. O nazismo perseguia judeus, negros e homossexuais. As igrejas em suas diversas denominações idem, esquecendo que Jesus amou as pessoas independente de seus aspectos étnicos, raciais e sexuais. Até pouco tempo a ONU tratava o homossexualismo como uma parafilia, ou seja um distúrbio sexual. Acreditar que essas pessoas são ERRADAS ou que sejam DOENTES é agredi-las sim e esta opinião interfere em suas vidas. Mas infelizmente muitos indivíduos tendem a achar que o homossexualismo seria uma escolha própria e não algo natural do indivíduo (inclusive há autores que acreditam que sufixo "ismo" não seria correto pois demonstraria que seria uma corrente ideológica e não um meio de vida, pois não é comum ouvimos a palavra heterossexualismo ). Defendo por questões sociais e psicológicas que alguns indivíduos, venham a se identificar com um gênero (aspecto cultural de masculinidade e de feminilidade) que seja diferente de seu sexo (sua natureza biológica, nascido como macho ou fêmea). Aqui há duas coisas essenciais que quero destacar: gênero e sexo são coisas diferentes, assim sendo há pessoas do sexo masculino que se identifica com o gênero feminino. 2) O que há é o aspecto cultural do que é ser homem e mulher, e não são iguais em toda a sociedades humanas. Assim características culturais de uma sociedade indica que um indivíduo é "homem" para outra sociedade as mesmas características venham a ser exclusivamente para "mulheres". Em fim a ideia de "mulher", "homem " e o "erógeno" (aspecto da sensualidade) é culturalmente construído. Toda sociedade tem sua formação daquilo que é permissível e do que não é e suas atribuições de gênero. Certos aspectos, por exemplo da cultura grega antiga, aos nossos olhos parecem ser "homossexualismo", mas não é, pois se trataria de anacronismo (quando atribuímos valores de nossa época a outra época), e quando analisamos alguns aspectos culturais de outras sociedades diferente da nossa e lhe atribuímos valores que são alheios àquela e que pertence a nossa, estamos cometendo etnocentrismo (quando atribuímos valores culturais de nossa sociedade a outra sociedade ). Exemplo de culturas diferentes da nossa: é normal um indiano homem andar com outro de mãos dadas, outro  exemplo é "os seios não são tidos como uma fonte de estímulo sexual [em algumas sociedades], embora algumas [outras] sociedades lhes atribuam um grande significado erótico. Algumas sociedades dão muita importância a fisionomia, enquanto outras dão ênfase à forma e à cor dos olhos ou o tamanho e à forma do nariz e dos lábios" (GIDDENS, Antony. Gênero e sexualidade. In.______. Sociologia. Lisboa: F.C.G., 2004, p. 128). Contribuindo com a lógica do sociólogo  britânico, é o caso daqueles que ficaram conhecidos como "indígenas" aqui no Brasil, pois algumas nações “indígenas” não tem o seio como uma parte erógena e assim não há necessidade de "escondê-lo", ademais os europeus atribuíram que os "indígenas" estavam nu (cometendo etnocentrismo), no entanto, nenhuma sociedade humana os indivíduos vivem nus fora de sua intimidade (pelo menos na teoria estruturalista, da qual eu advogo), mas tem seu próprio modo de  vestir, é o caso de alguns povos que utilizam uma vestimenta que cobre a glande do pênis, caso estejam sem, "sentem-se nus". Em suma, a sensualidade de cada um é um aspecto sobretudo cultural.”

“Além do mais quero me expressar, apesar que compreendi perfeitamente o que o “G” quis dizer ao colocar tal imagem. No entanto acho de muito mal gosto, ao meu ver esta imagem, pois indica que o "homossexualismo" é igual a uma parafilia que é a zoofilia. Traduzindo esta imagem ela quer dizer em aspectos conservadores que : " este ano foi o beijo gay [em aspecto negativo], no próximo será pior pois será com animal [perca de valores morais]", ou seja em outras palavras quem fez essa imagem é contra aqueles que se identificam com o homossexuais. Neste aspecto, “G” quem é homossexual vai ser ofender com isso, ou seja, estais sendo suscetível com esta imagem irônica a agredir algumas pessoas. E sua posição social como historiador e professor de história, pelo menos ao meu ver, amplia esta agressão. Pois não é qualquer pessoa, é aquele que formado em uma ciência humana, de forma que essa posição social lhe vem legitimar muitos de suas afirmações dando as suas afirmações visibilidade social, já que és um cientista social. Suponhamos a situação de um aluno seu que seja homossexual e que tem sérios problemas de aceitar sua identidade porque os pais dele não aceitam ou que na própria escola praticam bullying contra ele por causa de seu gênero, e você em uma posição de autoridade como cientista e professor difundi uma imagem dessa. Este jovem aluno esta sendo tolhido, agredido em aspectos psicológicos, diminuído em sua cidadania.
“Ainda que digas que não está comparando, é evidente que com a própria imagem (sobretudo no contexto que aparece, a leitura da mesma indique isso) e no conjunto de seus posts, que estás comparando uma relação comum de pessoas do mesmo sexo se beijando a uma parafilia da relação de cunho sexual a animais. Não são outras sexualidades, são sexualidades que são doentias comparada com outra que é aceitável. Vejo na verdade, conforme a sua citação do Hobsbawn, [no caso dizia que o historiador precisava ver para além do que ou outros veem] um conservadorismo que quer colocar em pé de igualdade desvios sexuais às práticas homoafetivas. E é fato que o homossexualismo foi taxado por muito tempo como um desvio sexual, porém vários grupos se politizaram e demonstraram que havia na verdade uma agressão conservadora de vários segmentos sociais que agrediam, sem serem agredidos, mas se valiam de puro preconceito. Então quer dizer que porque um tal indivíduo que foi criado em tal mentalidade de que poderia se bater em um homossexual no começo do século XX temos que aceitar isso em pleno século XXI ? Isso seria de absurdo sem tamanho. A quem fará mal uma relação entre dois homens ou entre duas mulheres? A ninguém, e somente os envolvidos diretamente é que devem dá conta de seus atos e não alheios. Ai poderiam me questionar a quem fará mal a zoofilia? Zoofilia é uma agressão aos animais, é maus tratos. E isso a sociedade tem que intervir. É aquela velha diferença que sempre aprendemos de liberdade e libertinagem.
Flávio P. Costa Júnior

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Uma análise comparativa entre Hobbes, Locke, Rousseau e Maquiavel
Flávio Pereira Costa Júnior[1]

Os contratualistas são pensadores que de uma maneira ou de outra acreditavam que houve um pacto ou contrato entre os homens para formar uma sociedade civil. Porém esta característica não é suficiente para alegar que seus modos de pensar são iguais, muito pelo contrário. Assim pensadores com Hobbes, Locke e Rousseau, a partir de seus conceitos individuais e históricos, do lugar social em que pertenciam, enveredaram suas teorias de como os homens passaram do Estado de Natureza para o Estado Civil. No caso do Maquiavel, não pode ser entendido o que ficou posteriormente conhecido como contratualistas. Todavia suas reflexões sobre políticas são deveras importantes, no que é bom também a comparação com os demais.
Thomas Hobbes (1588- 1679), em o Leviatã (1651), tem como pensamento que o homem vivia no Estado de Natureza em que todos poderiam fazer o que bem entender. Sendo por causa dos homens serem egoístas, inescrupulosos, cheios de vaidades, todos estariam contra todos, ou seja, o Estado de Natureza é o mesmo Estado de Guerra. “uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens”( HOBBES, 1983, p.75 ). De forma que o gênero humano estava ameaçado de se auto-destruir
As noções de bem e de mal, de justiça e injustiça, não podem aí ter lugar. Onde não há poder comum não há lei, e onde não há lei não já injustiça. Na guerra, a força e a fraude são as duas virtudes cardeais. [...] Outra conseqüência da mesma condição é que não há propriedade, nem domínio, nem distinção entre o meu e o teu; só pertence a cada homem aquilo que ele é capaz de conseguir, e apenas enquanto for capaz de conservá-lo. (HOBBES, 1983, p. 77)
Assim com a necessidade do ser humano de resguardar a sua própria existência, o mesmo abdica de sua liberdade para entra no Estado Civil. No Estado Civil para Hobbes os homens sairiam do Estado de Natureza , garantindo a sua própria vida, abrindo mão de sua liberdade, e concedendo autoridade ao Soberano. O Soberano para este autor se refere ao monarca ou assembleia, que deveria ter toda a autoridade inquestionável, já que ao ser feito o pacto, os súditos não teriam o direito de quebrar o mesmo, pois estariam agindo contra si mesmo. Assim o pacto seria o momento em que um grupo de homens vem a alienar o seu direito natural de poder ter tudo e fazer tudo a um único homem ou assembleia para que possam manter a paz.
Na obra do Leviatã, ainda que Hobbes pudesse admitir que pudesse ter um governo com a Soberania no Parlamento, está claro que para este pensador, o melhor tipo de governo é a monarquia. Pois concentraria toda a autoridade em uma pessoa e assim o controle do poder seria melhor administrado, do que não mão de muitas pessoas. E o soberano não tem que prestar conta a ninguém, não estando debaixo de nenhuma lei.
Por outro lado, as teorias do homem e do Estado, formuladas no Leviatã e em Sobre o Cidadão, inserem-se dentro de um processo histórico de lutas sociais e econômicos bem definido: os conflitos entre o poder real e o poder do Parlamento, na Inglaterra do século XVII (MONTEIRO; SILVA, 1983, p. XVIII)
Por isso o pensador via que o processo de democratização, a abertura para a diversidade de diálogos, levariam a sociedade para o caos, ou melhor, retornariam ao Estado de Natureza, em que todos têm direito a tudo, e logo o próprio gênero humano estaria em risco.
Para Hobbes o Estado ideal seria a união de uma multidão sobre domínio de um único homem. Assim estes homens não poderiam abdicar do pacto, e nem processar o soberano.
Porque sem um pacto anterior não já transferência de direito, e todo homem tem direito a todas as coisas, conseqüentemente nenhuma ação pode ser injusta. Mas, depois de celebrado um pacto, rompê-lo é injusto. E a definição da injustiça não é outra senão o não cumprimento de um pacto. E tudo o que não é injusto é justo. (HOBBES, 1983, p. 86)
Hobbes é importe, sobretudo porque este tem uma explicação diferenciada do que era comum se alegar, que o monarca detinha sua autoridade por que Deus assim quis. Para este autor a autoridade do monarca vinha do pacto realizado num momento histórico da sociedade que possibilitou uma dinastia está no comando do Estado.
Porém Hobbes foi extremamente criticado e sua teoria deixado de lado e não praticada na Inglaterra.
A história não lhe deu razão, preferindo a solução liberal de sue conterrâneo John Locke. Em 1689, as forças liberais que predominavam no Parlamento inglês derrotaram definitivamente o absolutismo real, instituindo a separação e a autonomia dos poderes, fazendo prevalecer a mentalidade civil, admitindo a pluralidade de confissões religiosas e proporcionando a liberdade de pensamento e de expressão (MONTEIRO; SILVA, 1983, p. XVIII)
Locke difere do pensamento de Hobbes, a começar que para aquele a Soberania esta no Parlamento. Outra questão importe para aquele é sobre o Estado de Natureza e que difere do pensamento de Hobbes, pois o Estado de Natureza não seria o mesmo Estado de Guerra.
Outra característica diferenciadora que com pacto não se abria mão do direitos naturais como pensava Hobbes, um exemplo é o caso da propriedade que é um direito natural do homem na teoria de Locke. De forma que o Estado Civil surge para que seja garantido o direito a propriedade, e caso isso não estivesse sendo cumprido pelo soberano, os cidadãos tinham direito de romper com o pacto. A liberdade é outro fator importante, pois ela vem do Estado de Natureza, pois é o direito de natureza. Para Hobbes a liberdade se caracteriza de direito de todos a tudo. Já Locke pensa que liberdade significa o direito de fazer algo livremente, desde que não afete a liberdade do outro.
Porém no Estado de Natureza todos são juízes, sendo assim, a Sociedade Civil seria uma maneira de proteger a propriedade privada. Pois os homens sendo com seus interesses desejariam legislar em seu próprio favor.
Além do mais o monarca não pode ser um despótico, pois para Locke ninguém pode está acima das leis, pois o mesmo estaria em Estado de Natureza. Caso haja uma monarquia absolutista estaria pondo em risco a garantia da propriedade. Assim sendo o monarca deve ser fiscalizado pelo Parlamento, que foi escolhido pelo povo. Desta forma o povo tem direito a discordar o monarca, caso este não esteja protegendo a propriedade.
Hobbes achava que a rebelião dos cidadãos contra as autoridades constituídas só se justifica quando os governantes renunciam a usar plenamente o poder absoluto do Estado. Contra essa tese, Locke justifica o direito de resistência e insurreição, não pelo desuso, mas pelo abuso do poder por parte das autoridades. Quando um governante se torna tirano, coloca-se em estado de guerra contra o povo. (AIEX; MONTEIRO, 1983, p. XVI)
Em Rousseau a Soberania esta em todos, sendo assim todo homem nasce livre, o Estado seria somente um potencialização de cada um. Além do mais diferentemente de Hobbes que “o homem é o lobo do próprio homem”, aquele tem a concepção de que “o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”, assim
O Contrato Social, única forma de associação legítima, em Rousseau, manifesta-se em um pacto estabelecido entre o povo e os governantes. Este pacto estabelece a submissão dos governantes, assim como de todos os cidadãos, à Vontade Geral. Esta se volta, não para os bens particulares, mas para o bem comum. Nas assembléias, a Vontade Geral, segundo Rousseau, seria manifestada pela maioria absoluta, se bem que o número não crie essa Vontade; ele apenas indica onde ela se encontra (MONTEIRO; SILVA, 1983, p. XVI)
Assim Rousseau, acredita , diferentemente de Hobbes e Locke, que o homem em seu Estado de Natureza é bom. É na sociedade civil que vai ser degenerar os homens.
O pacto seria uma associação e  não renúncia da liberdade ou do seu direito político, em que os indivíduos se uniriam para formar um corpo político e que Vontade Geral deve prevalecer. “Desde o momento em que essa multidão se encontra assim reunida em um corpo, não se pode ofender um dos membros se ressintam.” (ROUSSEAU, 1983, p 35)
No estado civil o homem adquire vantagens que mudou sua relação com os demais homens. “O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo quanto aventura e [sic] pode alcançar. O que com ele ganha é liberdade civil e a propriedade de tudo que possui” (ROUSSEAU, 1983, p 35) Esta nova liberdade tem suas características inerentes a que o pensador desenvolve.
A fim de não fazer julgamento errado dessas compensações, impõe-se distinguir entre a liberdade natural, que só conhece limites nas forças dos indivíduos, e a liberdade civil, que se limita pela vontade geral, e, mais, distinguir a posse, que não é senão o efeito da força ou o direito do primeiro ocupante, da propriedade, que só pode fundar-se num título positivo. (ROUSSEAU, 1983, p 35)

Nicolau Maquiavel (1469- 1527) pensador da península Itálica, que para muitos foi o iniciador da teoria da política moderna. O Príncipe, sua obra mais conhecida tem como princípio apresentar a um soberano a melhor maneira para governar, sobretudo no que se refere ao um principado recém conquistado.
Assim sendo o Maquieval para embasar estas suas teorias vai buscar na história Clássica e Moderna para explicar este seus pensamentos, processo completamente diferente realizado por Rousseau que não se importava com a história, e muitas das suas afirmativas históricas tem destaque uma ‘suposição”.
 “Os fins justificam os meios” é uma frase que sintetiza o pensamento de autor, ainda que o mesmo não tenha afirmando isso. Atualmente o termo maquiavélico se refere a pessoas que são sagazes, e tem inspiração direta do livro O Príncipe. Obra que esta dedicada para Lorenzo de Médici, a quem acreditava que poderia unificar a Itália. Porém alguns autores analisam, como é o caso do Rousseau que tal obra em vez de ser um mensagem endereçada a um príncipe era na verdade um aviso ao povo.
Maquiavel escreve num contexto histórico em que a Península Itálica está fragmentada em inúmeros Estados, no que possibilitava a invasão de nações estrangeiras constantemente. Assim um príncipe que fosse capaz de organizar este múltiplos estados em união, possibilitaria a formação de forte Estado.
Em sua época se faziam muitas teorias de Estados ideais, porém no seu caso em vez de ir em busca de Estado ideal, analisava um Estado que poderia ser observável, por isso vai analisar no período clássico e no sue próprio tempo os diversos Estados. Além do mais este teórico separou política da moral, algo impensável por exemplo aos filósofos clássicos.
Diferente de Hobbes para Maquiavel, dependendo do caso, um lugar poderia ser preferível ser uma monarquia ou uma República. Além do mais, ao analisar a história, observou que a fortuna seria consequências da própria vida que não foram planejada pelos políticos. Mas o Príncipe que souber usar a virtú, consegue superar a fortuna, ou seja, diante de uma situação não planejada , utilizar da mesma para se promover como soberano.
O Príncipe possui todo um receituário de como o soberano deve se portar de forma que não venha a perder o reino recém conquistado. Assim não instituir novas leis e impostos, eliminar a dinastia anterior, não ter todos as virtudes, mas aparentá-las tê-las, ser amada e temido pelo povo (na situação de ter que ser uma coisa ou outra, que seja temido), ter bons conselheiros e não lhe privar de se manifestarem, desde que sejam convocados, entre outras coisas.
Os contratualistas tem características que defendem em que em algum momento da sociedade, um grupo de homens formularam um contrato para que se pudesse ir do Estado de Natureza e irem ao Estado Civil. Porém os três autores que são assim caracterizados são completamente diferenciados em seus pensamento. No caso de Maquiavel, tal não é um contratualista, mas pensou no aspecto político do tempo moderno contribuiu significativamente ao pensamento político.

REFERENCIAS

AIEX, Anoar; MONTEIRO, E. Jacy. “Introdução”. In. Locke. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os pensadores)
HOBBES, Thomas. “Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado Eclesiástico e Civil”. In. Hobbes. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os pensadores)
LOCKE, Jonh. “Segundo Tratado Sobre o Governo”. In. Locke. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os pensadores)
MAQUIAVEL, Nicolau. “O Príncipe.” In. Maquiavel. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os pensadores)
MONTEIRO, João Paulo; SILVA, Maria Beatriz Nizza da. “Introdução”. In. Hobbes. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os pensadores)
ROUSSEAU, Jean J. “Do Contrato Social”. In. Rousseau. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os pensadores)




[1] Formando pelo curso de história licenciatura pela Universidade Estadual do Maranhão e mestrando do programa de pós-graduação de história social pela Universidade Federal do Maranhão.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Angústia e Medo (Impressões de uma manhã no mercado) (Amigo Edwin Xavier)



Ao Professor Henrique; 

Mecenas de Artistas, Poetas e Bêbados.

“Para ter a vitória é preciso realmente dar o sangue, o que causa medo, mas minha vontade de superar obstáculos é maior, isso me faz ter medo de mim mesmo, eu sou meu pior inimigo, tenho que acertar nas minhas escolhas”.
Como já disse Salomão (meu conselheiro de cabeceira) “Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam”, ouço os conselhos de pessoas que me amam e que pelas quais tenho admiração.  
(Henrique você é uma dessas pessoas) 

P. R. Matos, São Luís 02/02/2011.


Percebo certa tristeza pairando no ar,
Um desencanto latente nos olhares,
Lembranças flutuando nas mesas do bar 
E a nostalgia que permeia alguns lugares.
Numa melancolia que não há quem console,
Com copo, caneta e papel em mãos,
Vivendo a desesperança de só mais um gole,
Fico sentado em “momenterna” contemplação. 
Encontro-me com tudo o que fui e não mais sou.
Num torturante e retroativo sentimento 
Recordo-me de alguns amigos que a morte ceifou,
Outros..., a mágoa, o ciúme e o ressentimento.
Sei que sou a pura e fatal conseqüência de mim mesmo,
Fruto desta minha forma de sentir quase tudo.
Alterando signos e sobrelevando minha dor ao extremo
Como se o “i” sempre iniciasse a palavra mundo.
Completamente submerso em estranho delírio
Penso naquilo que embora perto esteja bem longe...
No amor legítimo e no amor espúrio, 
No futuro que ontem eu pensei que teria hoje.
Subitamente o teatro da vida me enlaça e atiça.
Capto a aura de uma obra de arte,
Porém minha exegese não lhe faz justiça,
Pois diante do todo, distorço-lhe as partes.
Num processo lento e perene
As verdureiras arrumam barracas.
O tempo então se espreme,
Formando pinturas densas e opacas.
Sinto o aroma, o aspecto e o gosto.
Batatas, pimentas, limões;
Chão sujo, cachorros, esgoto
E um velhinho com sua camisa sem botões.
Há mesas manchadas com sangue frio;
Peixes pendendo das mãos dos peixeiros;
Facas nervosas cortando horas a fio;
Cascas, cabeças e escamas rodopiando nos bueiros.
Duas mulheres bonitas e antipáticas,
Com trejeitos chatos e sorriso pobre,
Balançam suas bundas brancas e elásticas,
Desdenhando de tudo com olhar esnobe.
Vejo um deficiente com suas muletas;
Engraxate, sapatos, caixote;
Um mendigo curtindo a sarjeta
E um alcoólatra à beira da morte. 
Jogadores compulsivos repetem movimentos infatigáveis,
Formando nuvens tóxicas com seus cigarros
E bajulando máquinas caça-níqueis estéreis e instáveis 
Com suas luzes foscas e desenhos bizarros. 
Deparo-me agora com as imagens que mais me comovem:
Uma menininha sorridente pedindo esmolas, 
Um andarilho tristonho de aspecto bem jovem
E uma grávida ininterruptamente cheirando cola.
Num entrelaçar de gestos, pensamentos e expressões
Os passantes entreolham-se de soslaio. 
Tudo se reúne num desconexo bloco de ações
Como numa peça desprovida de ensaio. 
Os peixeiros conversam asneiras,
As mulheres se vão com sacolas pendentes,
O velhinho vende cordões, anéis e pulseiras
E o engraxate lustra os sapatos do deficiente.

As verdureiras falam sobre ervas e seus mistérios,
Repentinamente surgem melodias inexatas,
O alcoólatra e o mendigo balbuciam impropérios
Num frenesi característico dos apóstatas. 
Os jogadores perdem seu dinheiro diante de uma platéia
Indiferente a quaisquer das possíveis conseqüências.
As máquinas caça-níqueis engolem onomatopéias 
E os cigarros vomitam suas diversas substâncias.
A menininha recolhe os seus trocados,
A grávida perambula alucinada,
Os cachorros perseguem ossos por todos os lados
E o andarilho desaparece, seguindo sua jornada.
Ao redor tudo impressiona o meu olhar, 
Neste local não há o que se disfarce,
O formato das bocas e nuances das formas de falar
Ou a compleição fatigada retida em cada face. 
Ouço a voz de um homem de sorriso contrafeito,
O tilintar de moedas nos balcões.
A angústia mergulhada no meu peito
Uni-se à fumaça cancerígena injetada nos pulmões.
A fome surge esmagadora, 
O estômago dói e me contorço. 
Admiro ainda mais a missão exploratória 
Dos ambulantes em sua batalha diária pelo almoço.
Um amigo abre mão de beber para que eu beba,
Em um gesto quase bom e semi-mau, 
Insistindo para que eu receba
Aquele néctar inebriante e transversal.
Cai então o peso do álcool nos meus ombros,
O ambiente torna-se cada vez mais kafkiano,
Vejo criancinhas inocentes nos escombros
Tornando-se criaturas distorcidas de olhar profano. 
Numa prosopopéia altamente alucinatória 
Mesas e cadeiras dançam de um jeito jocoso,
As facas fitam-me de forma interrogatória
E as garrafas esfregam-se até chegarem ao gozo.
Cada elemento presente me enleva e impele
A uma amálgama de náusea, paixão, calor e afeto.
O ar quente e úmido envolvendo a pele, 
As paredes estreitas, sombras e frestas de luz no teto.
Pensadores inconscientes e maltrapilhos;
Poetas que nunca foram laureados em academias;
O pobre burguês e o proletário sem filhos,
Acabam confluindo suas inumeráveis filosofias. 
Metonimicamente o mundo inteiro está ali,
Cada ser representando um único e enorme “EU”,
Seguindo na condescendência coletiva de existir.
Quanto a mim..., tudo o que restou já se perdeu.
Com os efeitos de uma mente embriagada
Sou (álcool) poeticamente marcado 
Pela poesia desentranhada 
E esta sub-sóbria manhã no mercado. 



Paulo Roberto

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Início da História como Ciência; Principais argumentos



O grande desenvolvimento no campo da Historia deu-se especificamente em meados do século XIX, nessa época a historia emergiu com grandes pensadores que foram fundamentais para o desenvolvimento de sua área.
A partir dos estudos feitos por esses intelectuais a História elevou-se ao status de ciência. Dentre os pioneiros dessa mudança no processo de desenvolvimento do conceito. Destacaram-se Von Humboldt (1767-1835) e Von Ranke (1795-1886), os quais possuem seus principais argumentos e teorias discorridos a seguir.          
   O século XIX para o campo da historia viu emergir dois grandes pensadores que foram fundamentais para o desenvolvimento desta área, enquanto ciência, Humboldt e Ranke. Apresentando e dissertando sobre  os principais argumentos desses dois historiadores, entenderemos melhor  o papel da historia enquanto ciência.
O grande desenvolvimento do campo na historia deu-se especialmente no século XIX, com o surgimento de intelectuais que elevaram através dos seus estudos, a historia ao status de ciência. E dentre os pioneiros desta mudança no processo de desenvolvimento do conceito da historia destacam – se Von Humboldt (1767-1835) e Von Ranke (1795-1886), os quais terão seus principais argumentos e teorias discorridas nesta narrativa.
Wilhelm Von Humboldt é um pensador que durante o século XIX inovou com suas reflexões sobre o conceito de historia e do oficio do historiador, modificando conceitos já estabelecidos.
Humboldt inicialmente desenha a imagem do ofício do historiador apresentando o que ele não deveria ser, no caso em questão, um historiador passivo (receptivo e reprodutor) que se limita em reproduzir os fatos, acreditando que esta sua tarefa. Delineia que a tarefa do historiador consiste na exposição do acontecimento. Entretanto, a verdade deste acontecimento baseia-se na complementação a ser feita pelo historiador na parte invisível do fato. Pois o acontecimento só é visível parcialmente, precisando o restante ser intuído, concluído e deduzido. Tendo o historiador, assim como um poeta, utilizar-se do recurso da fantasia (aqui entendida como faculdade de intuição) para compor um todo a partir de um conjunto da fragmentação. Deste modo “o historiador é autônomo, e até mesmo criativo, (...) na medida em que sua própria força dá forma ao que realmente é algo impossível de ser obtido sendo meramente receptivo.”
Nos seus estudos destaca-se a reflexão acerca de três dimensões: a política, a pedagógica e a filosófica. Com sua obra “Ideias para um ensaio que determine os limites da ação do Estado” (1792) Humboldt contribuiu para a história da idéia política. Esta obra caracteriza-se pelo liberalismo político, e na originalidade da investigação em perguntar pela finalidade do Estado, sua utilidade. Levando a uma mudança de sentido do próprio Estado, o qual não pode cumprir a responsabilidade de responder tal questionamento, visto que “toda finalidade só pode ser estabelecida em âmbito privado.”
Em relação a religião Humboldt defendia a separação dessa com o Estado, para que assim se torna realmente universal, sendo um meio de formação. Pois, “a religião era apenas um meio de opressão”. Com esse rompimento ocorreria à perda do apoio dado pelo poder político estatal, encontra partida seu avanço se daria pelo fato de se tornar um poder de formação independente.
Humboldt utiliza a Filosofia (buscar o fundamento primordial das coisas) para seus estudos, mas atenta para o fato de que “a filosofia dita um objetivo aos eventos, e assim, esta busca por causas finais, sejam elas deduzidas da essência da natureza ou do próprio homem, perturba e falsifica toda visão livre sobre a ação própria das forças.
No âmbito pedagógico lutava pela reforma na Universidade de Berlim. Criticando a importância que era direcionada as faculdades superiores úteis ao Estado (como o Direito, e a Medicina), em detrimento das demais, com concepções idealistas, por vezes mares reproduções.
Nos perfis das obras Humboldtianas encontramos uma variedade de perspectivas, que segundo o autor era necessário respeitarem essa diversidade, sem ter a preocupação de resolver as controvérsias, pois acreditava piamente que só na contradição o sujeito é considerado seriamente, ressaltando sua existência.
 Esse princípio fundamental difundiu que nos homens e na sua história vive, age e se realiza gradualmente a forma ou o espírito da humanidade, tendo-o como ideal e critério do valorativo de toda a individualidade e de toda a manifestação humana. Direcionando o eixo de formação do homem que deixa de ser político e passa a ser guiado pela arte.

Outro grande autor a ser comentado e que se destacou nos estudos desses temas é Leopold Von Ranke que, na sua obra “O Conceito de História Universal” (1831), contribui de forma decisiva a conceitualização de historia e a sua definição como ciência a partir do momento que procura afastar, ou pelo menos diferenciar a História da Poesia e da Filosofia, “no fato de que de maneira análoga, elas (poesia e filosofia) se movimentam no plano do real (...) por causa de seu próprio material, dado e condicionado pela empiria”.

Nessa mesma obra Ranke apresenta as exigências que resultam para a pesquisa histórica, quando a História busca se desvencilhar da filosofia, apresentando os seis eixos desse principio histórico.
O amor a verdade, que é recolher nosso objetivo mais elevado no evento, evitando usar da nossa imaginação para nos antecipar ao objeto, pois “estaríamos trabalhando contra ele, estriamos reconhecendo apenas o reflexo de nossas teorias e de nossa imaginação”.
Uma investigação documental, pormenorizada e aprofundada, dedicando-se ao próprio fenômeno, suas condições, seus contexto para assim alcançar o conhecimento da sua essência.
Um interesse universal, pois os campos se dão apartados um do outro, mas estão sempre articulados e até mesmo condicionando-se mutuamente, é necessário dedicar um interesse uniforme a todos eles.
A fundamentação do nexo causal, pois na seqüência entre os distintos eventos um nexo, que se toca e influência mutuamente. “o precedente condiciona o posterior”, existindo uma articulação intima entre causa e efeito.
O apartidarismo manifesta-se entre dois partidos que se defrontam um com o outro, uma disputa distinta, mas que mantém um parentesco intimo.
A compreensão da totalidade, “trata-se de algo vivo, e assim aprendemos sua manifestação: nós percebemos a seqüência das condições que tornam um fator possível por intermédio do outro”.
A partir das análises de suas concepções percebe-se que de forma geral Ranke defendia a necessidade da objetividade nos estudos históricos, um tema considerado espinhoso; concordava com a premissa que a “política arruína a Historia”. Seu pensamento histórico estava fortemente marcado pela tríade: religião (onde “as verdades religiosas estão para alem de qualquer empiria; e não esta ao alcance do método histórico – a solução encontrada para está teodiceia foi a expulsão de Deus do plano da Historia”), e a Filosofia (se aproxima do fenômeno em si mesmo, tal como ele se manifesta) e a política.
Nas reflexões sobre a dimensão artística do trabalho historiográfico demonstra a influência de Humboldt, demonstrando a relação existente entre os estudos desses intelectuais que contribuíram para o processo de desenvolvimento do conceito de Historia.


Rakell Rays

sábado, 1 de janeiro de 2011

Cidade: reflexo dos homens

''Por meio dos conflitos urbanos é possível ler a cidade. Qualquer cidade pode ser estudada por sua arquitetura, por seus dados demográficos ou econômicos. Ao observar os conflitos urbanos, porém, é possível perceber como os diferentes setores e grupos da população se relacionam com a cidade e com as políticas governamentais. É uma forma de estudar não apenas os aspectos objetivos da cidade, mas também a subjetividade, aquilo que move citadinos(as) a se manifestarem.

     A cidade do Rio de Janeiro, como toda grande cidade capitalista, é profundamente marcada pela desigualdade. À desigualdade econômica se somam outras formas específicas de desigualdade, entre elas a urbana. As mudanças que ocorrem cotidianamente na cidade afetam de forma diferenciada os grupos sociais.

  Aqueles que têm maiores possibilidades de escolha quanto ao local de moradia, quanto aos meios de transporte a serem usados ou que podem pagar por serviços privados de saúde e educação, por exemplo, têm melhores condições de adaptação às mudanças da e na cidade.

  Muitas vezes, as pessoas mais pobres, mais dependentes do transporte coletivo e de determinados serviços públicos (como hospitais e escolas), enfrentam, em condições desfavoráveis, a disputa pela ocupação de espaços na cidade. De maneira recorrente, acabam se transformando nas vítimas dos processos de transformação e modernização da cidade.

      Mas não apenas a cidade se apresenta como um espaço física e morfologicamente desigual. Também a cidade é percebida de formas diferenciadas pelos grupos da população.

    Embora muitas percepções e problemas sejam comuns, é também inegável que moradores(as) da zona sul se manifestam por problemas diferentes que moradores(as) da zona norte e que moradores(as) de favelas se manifestam de forma diferente que as pessoas do asfalto. Essas diferenças expressam necessidades diferentes, relações distintas com o poder público e com a própria cidade.''



Rio de Janeiro






Texto retirado do site :

:http://www.cidades.gov.br/secretarias-nacionais/programas-urbanos/biblioteca/reabilitacao-de-areas-urbanas-centrais/textos-diversos/conflitos-urbanos-retratos-da-vida-na-e-da-cidade/


  
              Uma clara aproximação da cidade com seus moradores é percebida  a partir das conclusões do texto acima. Trabalhando em minha pesquisa sobre uso e ocupação do solo de São Luis e São José de Ribamar, percebo as nuances da manifestação  da população na sua própria cidade. Entretanto, o que é  cidade? O que é o meio Urbano? O espaço onde pessoas ficam aglomeradas e na convivência acabam por aderir as inovações e a absorver padrões sem pensar sobre eles?  Numa visão marxista, seria fruto do capitalismo gerado pelas necessidades que o mercado impõe desde  a revolução industrial?


                                           Representação de cidade na Revolução Industrial

           
               A cidade é fruto da confluência de elementos culturais, sociais, econômicos etc., que juntos num mesmo ambiente se sobrepõe aos outros, determinam as relações, e coordenam todo um espetáculo de empreendimentos,  construções e arte. A cidade é o urbano, elemento que define a atmosfera citadina, ou seja a maneira de se viver na cidade, a maneira de ser da cidade. Este elemento a define por elementos puramente pragmáticos, geográficos, mas também  por elementos que vão além de fronteiras.

             As cidades são sobretudo espaços onde ocorrem grandes eventos, onde há cultura em profusão, religiosidade e expressão das pessoas. São espaços puramente antropológicos e sociais. Em outras palavras a arquitetura, o traçado da cidade, a maneira como ele se modifica, a maneira como cresce,  o que absorve de fora, e o que não absorve, dizem muita coisa sobre as pessoas que ali residem. As cidades crescem não só devido as necessidades pertinentes do comércio, do capitalismo, mas principalmente por motivos muito humanos, intrapessoais e interpessoais que sempre trazem o novo.  Essa é a grande necessidade do homem. A necessidade de mudança . A necessidade da inovação, da constante construção. A cidade é com certeza a materialização dessa necessidade.
              
              O texto acima é uma espécie de protesto a respeito das desigualdades e dos problemas enfrentados pelos moradores das cidades que não conseguem conciliar a necessidade deste crescimento que flui, que é constante e inevitável, com os problemas sociais que ainda persistem. Problemas de estrutura, de espaço, de saneamento básico, crescimento demográfico, pobreza etc. Estes elementos ainda deixam muitas cidades brasileiras evidenciadas pelos problemas que são da população e do governo. A cidade é a manifestação do que nós somos. De uma forma ou de outra, por mais que hajam problemas naturais que prejudicam a estrutura da cidade, nós somos responsáveis pelo ambiente que fazemos, pois interferimos nele.
            
             É através da leitura da cidade que enxergamos o maranhense, o mineiro, o paulista. Pela maneira como a cidade foi feita e pela forma que esse feito volta a interferir nas pessoas, é qe podemos entender mais sobre nós e sobretudo poderemos entender a nossa História!



   
 Centro Histórico de Salvador
    

Foto do Elevador Lacerda, ponto turístico de Salvador; Imagem de Tiago Celestino.


Aimée Aguiar Bezerra